
Depois de uma terceira temporada com eventos de proporções cataclísmicas, o que poderíamos esperar do retorno de Fringe era algo muito melhor do que vimos no primeiro episódio da 4ª temporada.
Concordo que essa temporada atual tem uma missão complicada: conquistar audiência para que o show permaneça no ar. Não será fácil, não mesmo. Fringe apresenta uma trama densa em excesso, algo que o grande público norte-americano, muito mais afeito a dramas médicos ou comédias idiotas, não está muito acostumado. Justamente por isso, algumas características desse primeiro episódio não agradaram tanto o público cativo e, digo mais, em si, ele foi até mesmo ruim para os que não acompanham.
Tudo foi excessivamente mastigado e repetido à exaustão nesse primeiro episódio, e muitas vezes eu me senti até incomodado e ofendido, pois ver Olívia falar tantas vezes em pouco mais de 40 minutos que sente um vazio dentro dela foi algo chato demais. Outra coisa incômoda foi a inserção excessivamente rápida de Lee dentro da “Fringe Division”. Tudo bem que ele é um agente e que todos nós sabíamos que ele acabaria fazendo parte da equipe, ainda mais porque um parceiro para Olívia e alguém novo e não inteirado em tudo que está ocorrendo é necessário para servir como uma desculpa para explicar tudo para os novatos no seriado. Mas, foi rápido demais e forçado em excesso. E, mesmo o caso em si não foi interessante. Uma demonstração de “mais do mesmo”, nada além disso.
Mas, algumas coisas boas também pudemos ver nesse episódio. A pergunta que foi colocada nas “promos” continua: “Where is Peter Bishop?”. É algo que ronda o episódio inteiro e vê-lo como uma espécie de “fantasma”, por mais que seja um recurso batido e nem um pouco inventivo, foi interessante. Também observar algumas implicações que esse reescrever da “linha do tempo” em Fringe traz revelações. Lee não conhecia Olivia, nem ninguém mais. Uma demonstração nítida de que a “não existência” de Peter levou a um rearranjo dentro da estrutura da história dos personagensem Fringe. E, mais uma vez, ver o Observador negando-se a fazer algo que era necessário que ele fizesse, como que numa demonstração de apego a Peter e Walter Bishop, foi belíssimo. E, por falar em beleza, como é bom ver John Noble, como sempre magistral em seu personagem, que agora demonstra estar fora de controle em relação ao Walter que vimos em temporadas passadas.
Mas, antes de finalizar esse review, gostaria de compartilhar algumas dúvidas minhas que surgiram ao longo desse episódio e do segundo, que logo escreverei sobre ele:
Se nessa nova linha temporal Peter Bishop nunca existiu, temos alguns buracos no roteiro, pelo menos por enquanto. Durante as três primeiras temporadas, vimos que o que incentivou Walter a cruzar a linha que separa os universos foi a morte de seu filho. Isso o fez ir ao “universo paralelo” e roubar o Peter de lá de seu duplo. Então, se Peter Bishop, nessa nova linha temporal nunca existiu, qual foi o motivo que levou Walter a ir para o “lado de lá”? Apenas a curiosidade científica? Outra pergunta que me vem a mente diz respeito a “máquina do Juízo Final”, que faz a ponte entre os dois universos. Vimos na terceira temporada que a mesma só é ativada por Peter Bishop, então, como ela foi ativada, se Peter Bishop nunca existiu.